Esta semana vamos falar dos benefícios de fazer pausas encontrados pela ciência. Por uma vida mais simples. E teremos também o giveaway da nova agenda Ideias da Fia.
Mas comecemos pelas pausas.
Porque se tens muito para fazer, provavelmente uma das últimas coisas que te ocorre é… parar.
Quando o trabalho se acumula, quando tens um prazo para cumprir ou simplesmente quando queres aproveitar bem o dia, fazer uma pausa pode parecer contraproducente. Afinal, se ainda há tanto por fazer, porque haverias de perder tempo sem fazer nada?
A questão é que parar também pode fazer parte do trabalho.
O nosso cérebro não mantém indefinidamente o mesmo nível de atenção, energia e desempenho. Continuar sentado em frente a uma tarefa durante mais tempo não significa necessariamente produzir mais — e muito menos produzir melhor.
É aqui que entram as pausas.
As pausas ajudam a recuperar a atenção
Já te aconteceu estares há tanto tempo a fazer a mesma coisa que, a determinada altura, percebes que estás a olhar para ela… mas já não estás verdadeiramente a vê-la?
Relês três vezes o mesmo parágrafo. Começas a saltar entre separadores. Pegas no telemóvel sem sequer perceberes porquê. Uma tarefa simples começa a parecer extraordinariamente aborrecida.
A atenção diminuiu.
Fazer pequenas pausas durante períodos prolongados de trabalho pode ajudar a contrariar essa perda de concentração e a regressar à tarefa com a atenção renovada.
E isto é importante porque mais tempo não é necessariamente sinónimo de mais produtividade.
Se passares três horas em frente ao computador, mas a última for passada entre distrações, erros e tentativas de obrigar o cérebro a colaborar, talvez uma pequena pausa tivesse sido um investimento melhor do que continuar.
Parar ajuda-nos a aprender
As pausas também parecem ter um papel interessante quando estamos a aprender alguma coisa. Quando paramos, o cérebro não desliga simplesmente tudo aquilo que acabou de acontecer.
Há processos de consolidação da memória que continuam a ocorrer e que ajudam a estabilizar aquilo que aprendemos. Alguns estudos mostram mesmo que períodos breves de repouso podem favorecer a consolidação de determinadas aprendizagens.
Ou seja, aquele momento em que aparentemente não estás a fazer nada pode fazer parte do processo de aprender.
Há ainda outra coisa que provavelmente já experimentaste. Estás há imenso tempo a tentar resolver um problema e não encontras a resposta. Desistes temporariamente, vais tomar banho, passear o cão ou fazer o jantar e, de repente… A solução aparece.
Ao nos afastarmos temporariamente de um problema, damos espaço para que ideias e informações se reorganizem e para estabelecermos ligações que talvez não estivéssemos a conseguir fazer enquanto insistíamos conscientemente na mesma linha de pensamento.
Às vezes, para encontrar uma resposta, precisamos de deixar de a procurar durante uns minutos.
As pausas também ajudam a perguntar: ainda estou a fazer a coisa certa?
Existe ainda um benefício menos óbvio. Parar permite-nos reavaliar aquilo que estamos a fazer.
Quando entramos em modo de execução, é muito fácil continuar simplesmente porque começámos. Mais uma tarefa, mais um email, mais uma coisa riscada da lista… Uma pausa cria uma pequena interrupção nesse automatismo e permite fazer algumas perguntas:
- O que estou a fazer continua a ser importante?
- Estou a aproximar-me do objetivo ou apenas a ocupar-me?
- Esta ainda é a melhor forma de fazer isto?
- O que é realmente prioritário agora?
Não basta sermos eficientes a fazer coisas. Convém, de vez em quando, confirmar se são as coisas certas.
E a culpa de parar?
Talvez este seja o obstáculo mais difícil. Podemos compreender racionalmente que precisamos de descansar e, ainda assim, sentirmo-nos culpados quando paramos.
Há sempre mais alguma coisa que poderíamos estar a fazer.
E quando associamos produtividade a estar permanentemente ocupados, uma pausa começa facilmente a parecer preguiça, perda de tempo ou falta de disciplina. Mas uma pausa intencional não é necessariamente o contrário de produtividade.
Pode ser uma das ferramentas que nos permite continuar produtivos sem chegar ao ponto em que estamos apenas a insistir num cérebro cansado.
Descansar antes de chegar à exaustão é bastante diferente de parar apenas quando já não conseguimos continuar. Talvez tenhamos, por isso, de começar também a praticar uma coisa aparentemente muito simples: fazer uma pausa sem sentir que precisamos de a justificar.
Mas quando devemos fazer pausas?
Não existe uma fórmula única que funcione para toda a gente. Há vários métodos que podes experimentar e adaptar à tua forma de trabalhar.
Técnica Pomodoro
É provavelmente uma das mais conhecidas.
Na versão clássica, trabalhas durante 25 minutos, fazes uma pausa curta de cerca de 5 minutos e repetes o ciclo. Depois de alguns ciclos, fazes uma pausa maior.
Pode funcionar particularmente bem quando tens dificuldade em começar uma tarefa, porque não estás a comprometer-te com várias horas de trabalho.
Só tens de começar por 25 minutos.
Blocos de 90 minutos
Outra possibilidade é trabalhar em períodos mais longos, próximos dos 90 minutos, seguidos de uma pausa.
Pode ser mais adequado para trabalhos que exigem concentração profunda e em que parar a cada 25 minutos acabaria por interromper o ritmo precisamente quando estavas completamente envolvida.
Aqui, a lógica é diferente: tens um período substancial para mergulhar na tarefa e depois afastas-te dela para recuperar.
Método 52–17
Outra fórmula que se tornou popular propõe 52 minutos de trabalho seguidos de 17 minutos de pausa.
Não precisas, naturalmente, de andar com um cronómetro preocupada porque trabalhaste 51 minutos ou descansaste apenas 16.
O interessante desta proporção é lembrar-nos que períodos de concentração podem ser intercalados com pausas suficientemente longas para nos afastarmos realmente da tarefa.
15 minutos por dia
E depois há uma alternativa muito mais simples: reservar deliberadamente 15 minutos do teu dia para parares.
Sem trabalhar enquanto descansas. Sem aproveitar para responder a mensagens. Sem transformar a pausa numa oportunidade para despachar outra tarefa.
Quinze minutos para passear, beber qualquer coisa, olhar pela janela, ouvir música, respirar ou simplesmente não fazer nada de particularmente útil. Talvez seja essa, precisamente, a sua utilidade.
Experimenta em vez de procurares a fórmula perfeita
Não precisas de escolher um destes métodos e transformá-lo numa nova regra rígida. Experimenta.
Talvez 25 minutos sejam demasiado pouco para ti porque, quando o Pomodoro toca, acabaste precisamente de entrar no ritmo.
Talvez 90 minutos sejam demasiado e descubras que a tua atenção começa a desaparecer muito antes.
Talvez prefiras trabalhar durante 45 ou 60 minutos.
A questão não é encontrar o número mágico. É começares a prestar atenção ao teu próprio ritmo e perceberes quando uma pausa te ajuda a regressar melhor do que continuarias se não tivesses parado.
E há aqui uma distinção importante: uma pausa não tem necessariamente de significar trocar o computador pelo telemóvel e continuar a alimentar o cérebro com informação. Às vezes, a melhor pausa é levantar, mexer o corpo, beber água, apanhar ar, olhar para longe ou simplesmente deixar a cabeça vaguear durante alguns minutos.
Parar para poderes continuar
Vivemos rodeados de mensagens sobre fazer mais, aproveitar melhor o tempo, eliminar distrações e aumentar a produtividade. Talvez precisemos também de aprender quando não fazer.
As pausas podem ajudar-nos a recuperar a atenção, consolidar aquilo que aprendemos, estabelecer novas ligações, ganhar perspetiva sobre os nossos objetivos e regressar ao que estávamos a fazer com outros recursos.
Por isso, da próxima vez que surgir aquela pequena voz a dizer que não tens tempo para parar porque tens demasiado para fazer, talvez valha a pena experimentar o contrário.
Pára precisamente porque tens coisas para fazer.
No vídeo desta semana conversamos um pouco mais sobre a ciência das pausas e sobre algumas formas de as integrar no dia a dia.
Por uma vida mais simples.
Vamos conversar?



