Quanto tempo da tua vida é ocupado pelo trabalho — sem sequer estares a trabalhar?
A pergunta pode parecer estranha, mas basta acrescentarmos às horas de trabalho o tempo que gastamos a preparar-nos, sair de casa, enfrentar trânsito ou transportes públicos e fazer novamente o percurso de regresso para percebermos que o trabalho pode ocupar uma parte do nosso dia bastante maior do que aquela que aparece no horário.
É precisamente sobre isso que nos convida a refletir Elaine St. James, em Simplifique a Sua Vida.
Quanto vale o tempo que gastamos a chegar ao trabalho?
Elaine conta a experiência do marido, que chegou a passar cerca de quatro horas por dia em deslocações entre casa e o trabalho. Quatro horas.
Não é difícil imaginar tudo aquilo que pode caber nesse tempo: uma caminhada, exercício, ler, cozinhar tranquilamente, conversar, estar com a família, desenvolver um projeto pessoal ou simplesmente não fazer nada durante algum tempo.
Quando mudaram de vida e passaram a morar muito mais perto do local de trabalho, recuperaram esse tempo.
E a questão interessante talvez seja precisamente esta: o que vale, para nós, uma hora da nossa vida?
Naturalmente, nem sempre podemos escolher onde trabalhamos ou onde vivemos. Há compromissos financeiros, familiares e profissionais, mobilidade e deslocações e muitas outras circunstâncias que entram nessa equação. Mas podemos questioná-la.
Trabalhar em casa também mudou a equação
Hoje temos ainda uma possibilidade que, para muitas profissões, se tornou bastante mais comum: trabalhar a partir de casa.
O teletrabalho tem vantagens e desvantagens e não será certamente a solução ideal para toda a gente.
Há quem precise da separação física entre casa e trabalho. Há quem sinta falta do contacto com colegas. Há profissões que simplesmente não podem ser realizadas à distância.
Mas trabalhar em casa também pode devolver-nos algo muito valioso: tempo.
O tempo que anteriormente desaparecia nas deslocações pode transformar-se numa manhã menos apressada, numa caminhada, em mais tempo com a família, num hobby ou simplesmente em alguns minutos de sossego.
Embora ter mais tempo disponível não signifique automaticamente ter mais qualidade de vida. Podemos perfeitamente recuperar uma hora de deslocação e preenchê-la imediatamente com mais uma hora de trabalho.
Acrescentar vida ao tempo
Talvez esta seja a parte da reflexão que mais vale a pena guardar.
Se conseguimos recuperar algum tempo, seja através do teletrabalho, de uma mudança de emprego, de uma deslocação mais curta ou simplesmente de uma melhor organização do nosso dia, podemos perguntar: O que quero fazer com este tempo que recuperei?
Porque é muito fácil enchê-lo. Mais uma tarefa. Mais um email. Mais uma coisa que estava pendente. Mais uns minutos nas redes sociais. E, quando damos por isso, aquele espaço desapareceu novamente.
Podemos, no entanto, fazer outra escolha. Podemos acrescentar mais vida ao tempo.
Não precisa de ser nada extraordinário. Pode ser tomar o pequeno-almoço sem pressa, fazer exercício, ler algumas páginas, passear o cão, meditar, conversar com alguém ou simplesmente ter alguns minutos em que não precisamos de estar a produzir nada.
Que lugar ocupa o trabalho na vida que queres ter?
Nem sempre podemos fazer alterações imediatas. Mas podemos observar.
- Quanto tempo passas em deslocações?
- Quanto te custa esse tempo, não apenas em dinheiro, mas em energia?
- O teu modelo de trabalho continua a fazer sentido para ti?
- Se pudesses recuperar uma hora do teu dia, o que farias com ela?
E talvez a pergunta mais importante seja: estás a organizar a tua vida à volta do trabalho ou a tentar encontrar uma forma de o trabalho caber na vida que queres construir?
Não há uma resposta igual para toda a gente. Mas vale a pena fazer a pergunta de vez em quando.
No vídeo partilho esta reflexão de Elaine St. James sobre morar perto do trabalho, trabalhar a partir de casa e recuperar o tempo perdido nas deslocações, trazendo também algumas ideias sobre aquilo que podemos fazer com esse tempo.
E, como era habitual nestas partilhas, mostro ainda o meu destralhe semanal que, desta vez, foi sobretudo digital.
E foi um senhor destralhe: revistas e ficheiros que já não faziam falta, contas antigas e mais de 3400 emails que finalmente seguiram caminho. 😄
Porque simplificar também passa pelo computador.
E, no fundo, quer estejamos a destralhar coisas, emails ou compromissos, a pergunta talvez seja semelhante: isto ainda merece ocupar espaço na minha vida?



