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3 Coisas que deves fazer pela manhã

Índice

Esta semana vamos falar de 3 coisas diárias que podes, ou deves, fazer todos os dias para uma vida mais feliz.

E não, não vou sugerir que acordes às cinco da manhã, bebas um sumo verde, escrevas três páginas no diário e tenhas metade da tua lista de tarefas concluída antes do resto do mundo acordar. São três coisas bastante mais simples.

Na verdade, uma delas é tão banal como… lavar a loiça do pequeno-almoço.

As outras duas passam por mexer o corpo e parar um pouco a mente.

Três pequenos hábitos para começar o dia cuidando de três dimensões diferentes da nossa vida: o espaço onde vivemos, o nosso corpo e a nossa mente.

1. Lava a loiça do pequeno-almoço

Parece uma dica estranha para começar uma lista sobre uma vida mais feliz, não parece?

Mas pensa na diferença entre terminares o pequeno-almoço, lavares a chávena, o prato e aquilo que utilizaste e continuares o teu dia com a cozinha arrumada… ou deixares tudo no lava-loiça para “logo”.

O problema é que o “logo” vai-se juntando a outros “logos”.

Ao almoço já há mais qualquer coisa. Depois aparece outro copo, uma colher, uma chávena de café… E aquela tarefa minúscula que demoraria dois ou três minutos começa a transformar-se numa tarefa que já não apetece nada fazer.

Há também uma pequena mensagem implícita neste hábito: terminar aquilo que começámos. Preparaste o pequeno-almoço, comeste, arrumaste. O ciclo ficou fechado.

E há ainda outra possibilidade: transformar uma tarefa perfeitamente banal num pequeno exercício de presença.

Em vez de lavar a loiça enquanto mentalmente já estás nas dez coisas seguintes que tens para fazer, experimenta simplesmente estar ali. Sentir a temperatura da água, prestar atenção aos movimentos, observar aquilo que estás a fazer.

Curiosamente, até lavar a loiça já foi estudado como exercício informal de mindfulness, com resultados interessantes ao nível da atenção ao momento presente e do estado emocional.

Talvez aquela chávena no lava-loiça tenha afinal mais potencial do que imaginávamos.

2. Usa o exercício para treinar o corpo — e a mente

A segunda proposta é mexeres-te.

Não significa necessariamente ires todas as manhãs para um ginásio nem começares o dia com um treino extenuante. Pode ser uma caminhada, alguns exercícios em casa, yoga, bicicleta, uma corrida ou simplesmente alguns minutos de movimento. Escolhe aquilo que funciona para ti.

Porque, quando fazemos exercício, não estamos apenas a treinar músculos. Estamos também a praticar consistência, tolerância ao desconforto, capacidade de continuar quando começa a apetecer parar e a experiência de perceber que conseguimos fazer um pouco mais do que inicialmente julgávamos.

E o movimento tem também uma relação importante com o nosso bem-estar psicológico. A investigação encontra associações entre atividade física e estados afetivos positivos, e intervenções baseadas em exercício estão entre as abordagens com evidência de benefício para o bem-estar.

Não precisas, portanto, de transformar o exercício numa grande missão. O mais importante pode ser simplesmente começares a criar espaço para o movimento na tua rotina.

O corpo agradece. E a cabeça também.

3. Exercita a presença através da meditação

Se o exercício treina o corpo e, de certa forma, também a mente, a terceira proposta leva-nos diretamente para ela. Medita.

Mesmo que sejam apenas alguns minutos.

Meditar não significa necessariamente conseguir esvaziar completamente a cabeça, deixar de pensar ou atingir um qualquer estado extraordinário de serenidade. A mente vai pensar. É isso que ela faz.

A prática está também em perceber que nos distraímos e regressar. Outra vez. E outra. É nesse regressar que vamos treinando.

Podemos prestar atenção à respiração, às sensações do corpo, aos sons em volta ou simplesmente observar os pensamentos que aparecem sem termos de seguir cada um deles.

Com a prática, vamos desenvolvendo uma maior capacidade de estar onde estamos, em vez de passarmos grande parte do tempo presos ao que aconteceu ontem ou antecipando aquilo que poderá acontecer amanhã.

A investigação sobre práticas de mindfulness e meditação tem encontrado benefícios em diferentes dimensões do bem-estar e do sofrimento psicológico, embora não se trate, naturalmente, de uma solução mágica para tudo.

E talvez seja precisamente por isso que gosto da ideia de a incluir numa rotina diária: não precisamos de esperar até estarmos completamente stressados para parar. Podemos praticar o parar.

Espaço, corpo e mente

No fundo, as três propostas desta semana são muito simples: Arruma aquilo que usaste. Mexe o corpo. Pára alguns minutos.

Nenhuma delas, isoladamente, vai transformar magicamente a tua vida. Mas são precisamente estas pequenas coisas, quando repetidas, que começam a fazer parte da forma como cuidamos de nós e do espaço onde vivemos.

E talvez uma boa manhã não precise de uma rotina perfeita ou de uma lista interminável de hábitos. Talvez possa começar simplesmente por uma cozinha arrumada, alguns minutos de movimento e um bocadinho de silêncio.

No vídeo desta semana conversamos um pouco mais sobre estas três ideias.

E, porque nem só de bons hábitos vive uma Hora do Chá, teremos ainda um giveaway e o nosso momento trivia, desta vez dedicado a uma questão verdadeiramente importante para a humanidade:

Tirar macacos do nariz pode provocar demência?

Sim. É mesmo esse o tema.

Vamos conversar?

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