O desafio que tinha definido para Outubro era bastante claro: trabalhar todos os dias no meu projeto de estágio.
Trinta dias de escrita — que entretanto transformei em 31, porque Outubro assim o permitia.
O resultado? Trabalhei no projeto três dias.
Três.
Visto assim, não há grande volta a dar: o desafio foi um fiasco. 😄
Mas será que isso significa que não serviu para nada?
Quando um objetivo não nos interessa assim tanto
Podemos encontrar muitas justificações para aquilo que não fazemos.
Não tive tempo. Apareceram outras coisas. Estava cansada. Tinha outras prioridades. Não era o momento certo.
E algumas dessas razões podem ser verdadeiras e perfeitamente válidas.
Mas há outra pergunta que talvez seja mais interessante: Eu queria mesmo fazer aquilo?
No meu caso, perceber que durante um mês inteiro encontrei tantas outras coisas para colocar à frente daquele projeto também me deu informação.
O projeto interessava-me. Mas, aparentemente, não me interessava o suficiente para ser uma prioridade.
E isto não é necessariamente mau.
Às vezes continuamos agarrados a um objetivo simplesmente porque, em determinado momento, decidimos que o queríamos alcançar.
Colocámo-lo numa lista. Definimos um prazo. Talvez até o tenhamos anunciado a outras pessoas.
E depois parece que temos obrigação de continuar a querê-lo. Mas podemos mudar.
Falhar também nos dá informação
Quando não cumprimos um objetivo, podemos simplesmente concluir que falhámos. Ou podemos investigar um bocadinho.
O objetivo continua a fazer sentido?
Era realmente importante para mim?
Foi demasiado ambicioso?
Não defini tempo concreto para o fazer?
Havia outras coisas que, naquele momento, eram genuinamente mais importantes?
Ou estive simplesmente a adiar algo que quero mesmo fazer?
As respostas podem ser muito diferentes.
E são essas respostas que tornam o resultado útil.
Porque um objetivo falhado também pode ensinar-nos alguma coisa sobre a forma como estamos a definir as nossas prioridades.
Três é melhor do que zero
Há ainda outra forma de olhar para este desafio.
Eu queria 30, ou 31, dias e fiz três.
Se avaliar exclusivamente o cumprimento da meta, o resultado é bastante fraco.
Mas se a alternativa fosse não ter trabalhado absolutamente nada no projeto, então três continua a ser mais do que zero.
Claro que isso não transforma o resultado numa vitória só para me sentir melhor. Mas não precisamos de cair naquela lógica do tudo ou nada em que, se não fizemos exatamente aquilo a que nos propusemos, tudo o resto deixa de contar.
Não consegui cumprir o desafio. Mas avancei três dias.
Posso reconhecer as duas coisas ao mesmo tempo.
E agora? Um novo desafio
Para Novembro decidi continuar com a escrita, mas de forma mais abrangente. Serão então 30 dias de escrita. Sem obrigatoriedade de escrever todos os dias sobre o mesmo projeto.
Pode ser um artigo para um dos blogs, um guião para um vídeo, um texto relacionado com psicoterapia, uma das minhas histórias ou simplesmente alguma coisa que me apeteça escrever naquele dia.
E o projeto de estágio? Também pode entrar.
Talvez assim avance um pouco mais, sem precisar de um mês só para isso. Já que para mim a variedade também é importante.
Porque ajustar um objetivo não significa necessariamente desistir dele. Por vezes significa perceber que a forma como o tínhamos definido não estava a funcionar e experimentar outra.
Os desafios são experiências, não contratos
É talvez isto que quero retirar deste mês.
Quando estabelecemos um desafio pessoal, não estamos a assinar um contrato.
Estamos a experimentar.
Podemos conseguir.
Podemos descobrir que foi demasiado ambicioso.
Podemos perceber que precisamos de outra estratégia.
Ou podemos chegar ao fim e descobrir uma coisa que, afinal, já não queremos aquilo assim tanto. E essa descoberta também vale alguma coisa.
Por isso, sim. O meu desafio de Outubro foi um fiasco.
Mas três em vez de zero continua a ser um ganho.
E Novembro traz uma nova oportunidade. Desta vez, 30 dias de escrita.
Vamos ver como corre. 😄
E tu? Tens algum desafio para este mês?



