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Destralhe emocional: não leves tão a peito

Índice

Na Hora do Chá desta semana, partilho algumas ideias que te podem ajudar a não levar as situações tão a peito, pelo teu bem-estar. Vamos a uma conversa de destralhe emocional?

Falamos muitas vezes em destralhar a casa, os armários, as gavetas e todas aquelas coisas que fomos acumulando e que já não precisamos de guardar. Mas também acumulamos outras coisas.

Um comentário que alguém fez. Uma resposta que não chegou. Uma atitude que interpretámos como rejeição. Aquilo que alguém deveria ter feito e não fez. Uma conversa que continuamos a repetir mentalmente horas — ou dias — depois de ter terminado.

E talvez também seja preciso, de vez em quando, fazer algum destralhe emocional.

Nem tudo é sobre ti

Quando alguém é desagradável, responde de determinada maneira ou tem uma atitude que não compreendemos, é muito fácil interpretar o comportamento a partir de nós próprios.

O que fiz? Porque é que me disse aquilo? Será que não gosta de mim?

Mas as pessoas não chegam até nós como uma folha em branco. Trazem o seu dia, os seus problemas, inseguranças, preocupações, experiências anteriores, expectativas e estados emocionais.

Mesmo quando uma situação parece pessoal, o comportamento do outro diz também muito sobre aquilo que se passa dentro de si msmo.

Isso não significa que nunca tenhamos responsabilidade numa situação ou que devamos ignorar uma crítica válida. Significa apenas que não precisamos de assumir automaticamente que tudo aquilo que recebemos é uma medida do nosso valor.

Não vivas através da opinião dos outros

Quanto mais dependemos da aprovação exterior para nos sentirmos bem connosco, mais poder entregamos às outras pessoas. E essa é uma posição bastante frágil. Porque não conseguimos controlar aquilo que os outros pensam sobre nós.

Podemos tentar ser claros e ainda assim ser mal interpretados. Podemos agir com boas intenções e alguém não gostar daquilo que fizemos. Podemos fazer o nosso melhor e não corresponder às expectativas de determinada pessoa.

Não podes controlar a forma como os outros te recebem.

A interpretação que alguém faz de ti resulta daquilo que tu mostras, naturalmente, mas também da história, das experiências e das projeções dessa pessoa.

Por isso, talvez a pergunta não tenha de ser sempre “O que estarão a pensar de mim?”

Pode ser: “Estou confortável com a forma como escolhi agir?”

Reduz as expectativas, não os teus padrões

Não levar as coisas tão a peito também não significa baixar os teus padrões relativamente à forma como permites que os outros te tratem. São coisas diferentes.

Podes deixar de esperar que determinada pessoa aja exatamente como tu gostarias e, simultaneamente, decidir que determinados comportamentos não têm lugar na tua vida.

Muitas desilusões aparecem precisamente no espaço entre a pessoa real e a versão que construímos mentalmente daquilo que ela deveria ser.

Esperávamos que percebesse. Que dissesse determinada coisa. Que tivesse determinada atitude. Que reagisse como nós reagiríamos. Mas ela não é quem nós somos.

Retirar algumas dessas expectativas pode evitar muita frustração desnecessária. E quando o comportamento de alguém ultrapassa aquilo que estás disposta a aceitar, também tens outra possibilidade: afasta-te.

Nem todas as relações precisam de ser corrigidas, convencidas ou permanentemente analisadas.

O estado dos outros também aparece na forma como te tratam

Provavelmente já reparaste que é muito mais fácil sermos pacientes, disponíveis e simpáticos quando estamos bem. Quando estamos cansados, frustrados ou infelizes, essa capacidade pode diminuir.

Isso não desculpa comportamentos agressivos ou desrespeitadores. Mas ajuda a perceber que a forma como alguém nos trata num determinado momento nem sempre é um retrato fiel daquilo que somos para essa pessoa — e muito menos daquilo que valemos.

Às vezes, diz muito mais sobre o estado em que ela própria se encontra.

Escolhe onde colocas a tua atenção

Há situações que duram cinco minutos na realidade e cinco horas dentro da nossa cabeça.

O acontecimento terminou. Mas continuamos a reconstruir a conversa, a imaginar aquilo que deveríamos ter respondido, a tentar perceber porque aconteceu ou a antecipar o que diremos da próxima vez.

É aqui que recuperar o controlo sobre o nosso foco se torna tão importante. Não controlamos tudo aquilo que acontece. Mas podemos aprender, progressivamente, a decidir quanto espaço mental estamos dispostos a continuar a dar ao que aconteceu.

Por vezes, a paz começa simplesmente naquele momento em que respiramos fundo e decidimos que aquela pessoa ou aquele acontecimento já ocupou espaço suficiente dentro de nós por hoje.

Sê também uma prioridade para ti

Há ainda uma realidade que nem sempre é fácil aceitar: não serás sempre uma prioridade para os outros. E isso não significa necessariamente que não gostem de ti.

As outras pessoas têm vidas, responsabilidades, relações, problemas e prioridades próprias — tal como tu. Talvez por isso seja tão importante não depender exclusivamente delas para satisfazer todas as nossas necessidades emocionais.

Sê também alguém com quem podes contar. Reserva tempo para ti. Protege aquilo que é importante. Aprende a dizer não. Afasta-te quando precisas. Cuida da forma como falas contigo.

E não deixes o teu bem-estar permanentemente dependente daquilo que alguém fez — ou deixou de fazer.

Destralhar também é deixar ir

Tal como acontece quando destralhamos uma casa, não conseguimos decidir aquilo que fica se não estivermos dispostos a deixar algumas coisas sair.

No destralhe emocional talvez isso signifique deixar ir uma expectativa. Uma interpretação. A necessidade de aprovação. Uma conversa que já terminou. Ou simplesmente a ideia de que o comportamento dos outros tem sempre alguma coisa a dizer sobre nós.

Não se trata de deixar de sentir, de nos tornarmos indiferentes ou de aceitar tudo, mas de escolher melhor aquilo a que continuamos a dar espaço dentro de nós.

É sobre estas e outras ideias que conversamos no vídeo desta semana.

E no nosso momento Trivia, uma questão completamente diferente — e bastante mais geográfica:

Existe algum país chamado Laranja?

Vamos conversar?

#ideiasdafia​​​
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