
As pirâmides do Egipto são um dos monumentos que gostaria de visitar um dia. Sempre as associei a mistério, história, simbolismo e a uma civilização que atravessou o tempo.
Assim, quando há cerca de dois meses atrás tropecei num anúncio no Instagram sobre uma experiência imersiva em Lisboa no Horizonte de Quéops, fui imediatamente procurar perceber sobre o que se tratava.
Há experiências que nos permitem viajar na imaginação e outras que nos levam a viajar também com o corpo e os sentidos. Foi exatamente assim que vivi esta minha visita ao Horizonte de Quéops. Entrei curiosa e saí genuinamente maravilhada.
Trata-se de uma experiência imersiva de realidade virtual que nos transporta até ao Egipto Antigo — às pirâmides, à história, ao simbolismo, à vida e à morte de uma civilização que continua a fascinar o mundo.
Apesar de existir uma versão moderada para quem tende a enjoar ou a ter dores de cabeça, escolhi a experiência completa. Disseram-me que a principal diferença estava nas subidas e descidas — e posso dizer, com convicção, que valeu a pena.
As plataformas elevatórias foram surpreendentemente realistas. Mesmo sabendo que o chão da sala era plano, o meu corpo reagiu como se estivesse realmente a subir e a descer. O cérebro completou a experiência, o corpo acreditou e as pernas procuravam o equilíbrio. Por momentos, até eu acreditei que estava em movimento.
Uma das coisas que mais gostei foi a liberdade de olhar em volta e descobrir os mais pequenos detalhes. Não era apenas uma questão de “ver” a pirâmide, mas de a explorar. Deu para reparar na iluminação artificial moderna que hoje permite visitas ao interior — e que deve existir no local real. Assim como deu para notar pormenores como o gato que está a lavar-se atrás de nós, logo após a entrada na pirâmide. Pequenos detalhes que tornaram tudo mais próximo de uma experiência real.
A vista do topo da pirâmide foi um dos momentos mais marcantes — o deserto a perder de vista, a cidade à distância. Ao aproximarmo-nos da saída, o som dos pássaros tornava-se notório, ajudando a criar uma forte sensação de espaço e abertura. Aliás, achei particularmente interessante como o som da voz da guia virtual se ajustava à minha posição — virando a cabeça, o áudio acompanhava o movimento. Também era evidente a diferença acústica entre espaços mais fechados e outros mais amplos.

Houve ainda o passeio de barco no Nilo, sereno e envolvente. E o momento em que nos encontramos junto dos egípcios durante o “funeral” do faraó, ou a acompanhar o seu processo de mumificação.
A certa altura, reparei nos avatares de algumas pessoas que passaram por mim de cócoras. Associei esse momento a uma passagem estreita que eu própria tinha atravessado no início da experiência. Embora todos estivéssemos fisicamente na mesma sala, cada pessoa encontrava-se em momentos diferentes da narrativa, em “lugares” distintos dentro da pirâmide. A experiência dura cerca de 45 minutos e os grupos entram com um intervalo de aproximadamente 20 minutos — cruzávamo-nos no espaço, mas não no mesmo momento da história.
Uma experiência muito bem pensada e estruturada. Sentíamo-nos seguros no espaço, com uma clara noção de onde estavam as outras pessoas e os limites físicos da sala.
No fim, fiquei com a sensação de ter viajado até outra parte do mundo — sem avião, sem malas, apenas através da curiosidade, da imaginação e da tecnologia, que juntou tudo isto.
Recomendo sinceramente esta experiência a quem sonha visitar o Egipto, a quem se interessa por realidade virtual, ou simplesmente a quem gosta de se deixar surpreender. É uma experiência tecnológica, mas também profundamente sensorial, envolvente e memorável.
Agradeço à Fever pela experiência pela variedade de experiências que tem para nos oferecer. quem sabe não volto aqui m breve para contar sobre a próxima. 😉



