Na Hora do Chá desta semana, comento alguns “factos úteis da Psicologia” que encontrei numa partilha no Quora.
Mas será que são mesmo factos?
Na Internet encontramos inúmeras listas sobre Psicologia, comportamento humano, linguagem corporal, relações ou funcionamento do cérebro. Algumas afirmações têm alguma base e podem fazer sentido quando devidamente contextualizadas. Outras partem de uma ideia verdadeira, mas simplificam-na tanto que acabam por transmitir uma conclusão que já não é assim tão verdadeira.
E outras são simplesmente aquelas frases que parecem suficientemente plausíveis para continuarem a ser repetidas.
Psicologia não é uma coleção de regras sobre as pessoas
Uma das dificuldades deste tipo de listas é transformar comportamentos humanos bastante complexos em pequenas relações de causa e efeito.
Se alguém faz isto, significa aquilo. As pessoas que se comportam desta forma são assim. Se utilizares determinado gesto, os outros vão interpretar-te desta forma.
Seria muito conveniente se funcionássemos assim. 😄
Mas o comportamento humano depende de inúmeras variáveis: da pessoa, do contexto, da cultura, das experiências anteriores, do estado emocional, da relação entre as pessoas envolvidas e até da situação específica em que determinado comportamento acontece.
A linguagem corporal é um bom exemplo. A posição dos braços, a postura, o contacto visual ou a distância que mantemos relativamente a outra pessoa podem fornecer informação interessante. Mas um gesto isolado dificilmente nos permite concluir com certeza aquilo que alguém está a sentir ou a pensar.
É preciso contexto.
Verdadeiro, falso ou “depende”?
E é um pouco este o exercício que faço no vídeo. Pego nas afirmações que encontrei e vou olhando para elas uma a uma:
- Isto faz sentido?
- Há alguma explicação psicológica que possa sustentá-lo?
- É uma simplificação excessiva?
- Ou precisamos simplesmente de dizer que depende?
Em alguns casos concordo com a ideia geral, mas acrescento aquilo que considero importante para a contextualizar. Noutros, questiono a forma como a afirmação é apresentada.
Porque talvez esse seja também um exercício útil quando encontramos conteúdos sobre Psicologia online: não aceitar automaticamente uma afirmação só porque parece científica ou porque vem apresentada como um “facto psicológico”.
No vídeo desta Hora do Chá faço precisamente isso: leio e comento vários dos supostos factos úteis da Psicologia que encontrei nesta lista e partilho a minha perspetiva sobre cada um deles.
Alguns talvez sobrevivam ao teste.
Outros… logo veremos. 😉
Será que são verdade? Vamos conversar?
Espreita também: A psicologia da tralha e da desorganização.
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