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Porque deixei de me preocupar com o glúten

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Durante algum tempo, preocupei-me bastante com o glúten. Lia rótulos, prestava atenção aos ingredientes e pensava naquilo que determinado alimento poderia provocar no meu corpo.

Até que comecei a fazer uma pergunta diferente: Em que é que me estou realmente a focar?

E foi a partir daí que comecei a olhar para a questão de outra maneira.

É sobre essa mudança de perspetiva que converso neste vídeo.

Aquilo em que colocamos a atenção cresce… pelo menos na nossa perceção

Há um fenómeno muito simples que provavelmente já experimentaste. Estás a pensar comprar determinado carro e, de repente, parece que ele está em todo o lado. Compraste um modelo específico e começas a reparar constantemente em carros iguais ao teu.

Ou alguém próximo está grávida e, subitamente, parece que o mundo se encheu de grávidas, bebés e carrinhos de bebé. Eles não apareceram todos de um dia para o outro.

Nós é que passámos a reparar neles.

A nossa atenção seleciona permanentemente uma pequena parte da enorme quantidade de informação disponível à nossa volta.

E comecei a pensar sobre isto também em relação à alimentação.

Quando o foco está em procurar aquilo que pode correr mal

Se estou constantemente a observar aquilo que como à procura daquilo que me poderá fazer mal, onde está a minha atenção? Nos sintomas. No desconforto. Na possibilidade do meu corpo reagir mal. Naquilo que quero evitar.

E começamos a criar associações entre determinados alimentos e determinadas respostas.

Vale dizer que o cérebro é extraordinariamente bom a aprender/fazer associações.

Um sabor, um cheiro, uma embalagem ou um determinado alimento podem ficar ligados a experiências anteriores, expectativas e emoções. E aquilo que esperamos sentir também pode influenciar, em determinadas circunstâncias, aquilo que efetivamente sentimos.

Isto não significa que os ingredientes deixem de ter propriedades próprias nem que possamos pensar uma intolerância, alergia ou doença para fora do corpo. Significa apenas que mente e corpo não funcionam como duas entidades completamente separadas.

Aquilo que pensamos, esperamos e sentimos pode participar na nossa experiência física.

As crenças também entram à mesa

Foi esta relação entre pensamentos, crenças, expectativas e respostas do corpo que me começou a interessar.

Se pego num alimento enquanto penso “isto vai fazer-me mal”, estou a ter uma experiência muito diferente daquela que teria se comesse exatamente o mesmo alimento sem qualquer preocupação associada.

Isso não prova que qualquer sintoma seja psicológico. Mas também não significa que devamos ignorar o papel que a expectativa, a atenção e a aprendizagem podem desempenhar na forma como experienciamos o corpo.

E foi precisamente esta reflexão que me levou a deixar de colocar tanta atenção no glúten e a procurar uma relação diferente com aquilo que comia.

Uma experiência pessoal

Há uma distinção importante que quero deixar clara.

Este vídeo é uma partilha da minha experiência e da forma como fui pensando sobre este assunto. Não é uma recomendação para que alguém com doença celíaca, alergia, sensibilidade diagnosticada ou qualquer outra condição relacionada com a alimentação passe a consumir glúten ou ignore sintomas.

Cada pessoa terá de encontrar aquilo que funciona para si e, quando existem sintomas persistentes ou suspeita de uma condição clínica, procurar a avaliação adequada. O que me interessa explorar aqui é outra dimensão: até que ponto aquilo em que acreditamos, aquilo que esperamos e aquilo a que prestamos continuamente atenção participa também na experiência que temos do nosso próprio corpo?

No vídeo desenvolvo esta ideia, dou alguns exemplos e explico melhor o caminho que me levou a deixar de me preocupar com o glúten. Não porque tenha encontrado uma verdade universal sobre alimentação, mas porque encontrei uma forma diferente de olhar para a minha.

Vamos conversar?

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