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Teatro Noite de Reis

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Há já muito tempo que não ia ao teatro e, no final do mês passado, lembrei-me de procurar que peças estavam em cartaz pelas minhas bandas. E encontrei duas que me interessaram, uma para Outubro em Almada e uma para Novembro no Seixal.

Então esta semana tive noite de teatro com a minha mãe. Fomos ver uma comédia de William Shakespeare, que está no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, até dia 30 de Outubro: Noite de Reis.

O que não estava nada à espera era que uma peça de Shakespeare me fizesse rir tanto. A encenação de Peter Kleinert fez toda a diferença.

Sobre a história, isto é o que podemos ler de antemão:

Escrita provavelmente por volta de 1601, Noite de Reis é uma das comédias de maior sucesso de William Shakespeare (1564-1616), sendo também uma das mais representadas. Nesta peça assistimos à história de Viola, que chega a uma terra chamada Ilíria na sequência de um naufrágio no qual julgara ter-se afogado o seu irmão, Sebastião. Para evitar os perigos de se apresentar como mulher numa terra estranha, decide disfarçar-se de homem, e passa a ser Cesário, um criado logo contratado pelo Conde Orsino. A sua tarefa consistirá daí em diante em ser portador das apaixonadas mensagens do Conde para a princesa Olívia, que no entanto não lhe retribui os sentimentos amorosos. Só que a princesa Olívia, ao mesmo tempo que recusa o amor do Conde, acaba por apaixonar-se pelo mensageiro, ou seja, por Viola disfarçada de Cesário. Na verdade, Viola/Cesário — que entretanto também se apaixonara pelo seu patrão — acaba por ficar em muito maus lençóis. Mas esta é apenas uma pequena parte da grande confusão que se instala quando finalmente aparece o irmão gémeo de Viola, Sebastião, que afinal não se afogara no naufrágio do início da história. O maravilhoso jogo shakespeareano, que se desenvolve em torno da ideia de identidade, resulta numa comédia insana e violenta, cheia de graça mas também melancólica. Nesta peça está-se constantemente a brincar com os tipos-sociais e a identidade de género. É uma verdadeira comédia — caótica, utópica, à moda antiga.

Peter Kleinert

Gostei da abordagem algo subtil às questões de género e identidade, assim como do twist que o texto levou aproximando-o da linguagem atual e tornando-o apetecível para o público mais jovem. De facto, a plateia estava repleta de malta nova, o que me surpreendeu pela positiva.

Gostei imenso da interpretação do elenco (também jovem) da peça, que demonstrou ter empenho, talento e belas vozes. Sim, porque temos também muita música bem interpretada pelo meio da história.

Surpreendi-me também pela nota final em que, quando um dos personagens cai em desgraça, sai do palco criticando os outros e a própria peça pelo músico ser argentino e o encenador alemão. Em que pede um café a alguém no fundo da plateia que lhe responde em inglês dizendo: I don’t understand. I don’t speak spanish.

Priceless!

Teatro Noite de Reis 1
Teatro Noite de Reis 2

Gostei imenso e recomendo. Foram 2 horas muito bem passadas.
A minha mãe também se fartou de rir e diz até que dormiu melhor com aquela “lufada de ar fresco” (nas suas palavras).

Deixo-te a ficha artística:

Texto de William Shakespeare 
Encenação de Peter Kleinert
Tradução António M. Feijó
Cenografia Celine Demars
Figurinos Ana Paula Rocha
Luz Guilherme Frazão
Música Ariel Rodriguez
Interpretação  André Pardal, Ariel Rodriguez,  Binete Undonque, Carolina Dominguez, Diogo Bach, Erica Rodrigues, Ivo Marçal, João Cabral, João Farraia, Leonor Alecrim, Pedro Walter

E o link para compra dos bilhetes.

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