
Andamos a escolher as cores para pintar algumas divisões cá de casa.
Catálogos para um lado, amostras para o outro e aquela tentativa de imaginar: «Mas como é que isto vai ficar numa parede inteira?»
Porque uma coisa é aquele quadradinho minúsculo no catálogo. Outra bastante diferente são vários metros quadrados de parede. 😄
E há ainda outro problema: a mesma cor pode parecer diferente consoante o espaço onde está.
A luz natural, a iluminação artificial, a orientação da divisão, as outras cores que estão à volta e até a hora do dia podem alterar bastante a forma como percebemos determinada tonalidade.
Por isso, enquanto andávamos aqui nas nossas escolhas — e acho que já estão feitas! — encontrei algumas perguntas interessantes para fazer antes de decidir a cor de uma divisão.
1. O que queres sentir quando entras nesse espaço?
Talvez esta seja uma das perguntas mais interessantes.
Antes de pensares «quero azul», «gosto daquele verde» ou «este laranja é giro», pensa primeiro: Como quero sentir-me aqui?
Queres um espaço tranquilo e acolhedor?
Luminoso e alegre?
Mais sóbrio?
Vibrante?
Neutro?
Queres entrar naquela divisão e sentir vontade de parar ou queres um espaço com mais energia?
É verdade que associamos determinadas cores a determinadas sensações — verdes e azuis podem lembrar-nos tranquilidade e natureza; amarelos e laranjas podem parecer-nos mais alegres ou energéticos; vermelhos podem criar uma presença muito mais intensa.
Mas não é apenas a família da cor que interessa.
Um azul muito escuro e um azul quase branco podem produzir ambientes completamente diferentes. Tal como um amarelo suave não tem o mesmo impacto visual que um amarelo muito saturado.
E, acima de tudo, interessa aquilo que aquela cor provoca em ti.
A casa é tua.
2. Como é que a cor vai jogar com a luz?
Esta é uma das razões pelas quais não sou particularmente fã de escolher uma tinta apenas através de um catálogo.
Na parede fica diferente.
E pode até ficar diferente de uma parede para outra dentro da mesma divisão.
Uma parede que recebe diretamente luz natural pode mostrar uma tonalidade diferente daquela que permanece grande parte do dia na sombra. E, quando anoitece e acendemos as luzes, lá muda novamente.
Por isso, se for possível, uma pequena amostra de tinta aplicada na própria divisão pode dizer-nos bastante mais do que o catálogo.
E vale a pena observá-la em diferentes momentos do dia.
3. Será que vais continuar a gostar desta cor daqui a cinco anos?
Todos os anos aparecem tendências, paletas da estação e, claro, a famosa cor do ano.
E não há problema nenhum em nos inspirarmos nelas.
O problema é escolhermos uma cor simplesmente porque naquele momento está na moda.
Uma parede não é propriamente uma camisola que deixamos de usar na próxima estação.
Pintar uma casa implica dinheiro, tempo, móveis fora do sítio e toda aquela maravilhosa logística que acompanha a operação. 😄
Por isso, antes de escolher uma cor muito marcada, talvez valha a pena perguntar: Estou a escolhê-la porque gosto mesmo dela ou porque estou constantemente a vê-la neste momento?
Não sabemos necessariamente aquilo de que vamos gostar daqui a cinco anos, claro.
Mas podemos pelo menos distinguir gosto pessoal de entusiasmo momentâneo.
4. Tens alguma preocupação com o tamanho da divisão?
A cor também altera a forma como percebemos visualmente um espaço.
Se tens uma divisão pequena ou pouco luminosa e queres aumentar a sensação de amplitude, talvez escolhas a cor de uma forma diferente daquela que escolherias para uma divisão enorme que queres tornar mais envolvente e acolhedora.
E não são apenas as paredes que entram na equação.
O teto, os contrastes, a continuidade entre superfícies e a utilização de tons mais claros ou mais escuros também podem alterar a nossa perceção das proporções.
Não vamos conseguir acrescentar dois metros à sala com uma lata de tinta.
Era simpático. 😄
Mas podemos mudar bastante a sensação que temos quando estamos dentro dela.
5. A cor combina com aquilo que já tens?
Por fim, uma pergunta muito prática: E o resto?
Móveis, sofá, cortinas, tapetes, quadros, chão, portas, objetos decorativos…
Só porque vamos pintar as paredes não significa que queiramos redecorar a divisão inteira.
Por isso, a cor que isoladamente parece maravilhosa pode não ser a melhor escolha quando a colocamos junto daquilo que já existe no espaço.
Mais uma razão para não olhar apenas para aquele quadradinho do catálogo.
Antes de abrir a lata de tinta…
No fundo, talvez a escolha fique um bocadinho mais fácil se, antes de procurarmos qual é a cor, respondermos a estas cinco perguntas:
- O que quero sentir neste espaço?
- Como é a luz desta divisão?
- Continuarei provavelmente a gostar desta cor daqui a alguns anos?
- Quero alterar a perceção do tamanho ou das proporções do espaço?
- Esta cor funciona com aquilo que já tenho?
Depois disso…
é escolher a tinta, proteger o chão, pegar nos rolos e pôr as mãos na massa.
Ou na tinta, neste caso. 😄
No vídeo levo-te precisamente comigo nesta fase cá de casa, entre catálogos, escolhas de cores e algumas destas questões que nos podem ajudar a decidir.
E sim, as nossas cores já estão escolhidas.
Agora falta a parte trabalhosa. 😄


