Arrumas a tua cabeça como arrumas a tua casa?
Esse é um espaço que, por vezes, não sabemos muito bem como organizar — ou sequer pensamos que o podemos fazer. Este foi o tema da Hora do Chá desta semana.
Porque se conseguimos olhar para um armário cheio e perceber que está na altura de fazer alguma coisa, porque será tão difícil fazer o mesmo quando aquilo que está demasiado cheio é… a nossa cabeça?
E se pudéssemos destralhar os pensamentos?
Ao longo do dia vamos acumulando coisas mentalmente.
Aquilo que temos de fazer. Uma conversa que ficou a ecoar. Uma preocupação. Uma decisão que precisamos de tomar. Uma coisa que não queremos esquecer. Algo que aconteceu ontem. Outra coisa que poderá acontecer amanhã.
E, ao contrário do que fazemos em casa, raramente paramos para nos perguntarmos: Preciso de continuar a guardar isto aqui?
É aqui que podemos fazer um paralelismo interessante com algumas das estratégias que utilizamos para destralhar e organizar os nossos espaços.
Marie Kondo tornou famosa a pergunta sobre se determinado objeto nos traz alegria. Não significa, naturalmente, que possamos aplicar literalmente o mesmo critério aos pensamentos. Há assuntos importantes que não nos trazem alegria nenhuma e que, ainda assim, precisam da nossa atenção.
Mas podemos fazer outras perguntas.
- Este pensamento é útil?
- Há alguma coisa que eu possa fazer relativamente a isto?
- Preciso de resolver isto agora?
- Ou estou simplesmente a dar voltas à mesma coisa?
Só esta distinção pode começar a criar algum espaço.
Cada coisa no seu lugar
Quando organizamos uma casa, tentamos evitar ter tudo espalhado por todo o lado. Criamos lugares para as coisas. Talvez possamos fazer qualquer coisa semelhante mentalmente.
Uma tarefa que não queremos esquecer pode sair da cabeça e ir para uma lista. Uma marcação pode ir para a agenda. Uma ideia pode ser registada num caderno. Uma preocupação pode ter um momento próprio para ser pensada, em vez de andar connosco o dia inteiro.
Não precisamos de utilizar a nossa mente como local de armazenamento permanente de tudo aquilo que não queremos esquecer.
Às vezes, organizar a cabeça começa simplesmente por retirar de lá algumas coisas e colocá-las num lugar onde sabemos que as podemos encontrar novamente.
E podemos ter uma gaveta da tralha?
Quase todas as casas têm uma.
Aquela gaveta onde ficam pequenas coisas que não sabemos muito bem onde colocar, mas que queremos guardar. E não há necessariamente problema nisso — desde que a gaveta não comece a transbordar e a ocupar a casa inteira.
Talvez também possamos permitir-nos alguma desorganização mental.
Nem todos os pensamentos precisam de ser analisados, compreendidos, resolvidos ou transformados em alguma coisa útil.
Há pensamentos que simplesmente aparecem. Podemos observá-los e deixá-los passar.
Organizar a mente não significa controlar tudo aquilo que pensamos. Talvez tenha mais a ver com aprender a escolher aquilo a que damos atenção, aquilo que precisa de uma ação e aquilo que podemos simplesmente deixar ir.
Criar algum espaço cá dentro
Tal como uma casa demasiado cheia pode tornar-se cansativa, também uma cabeça permanentemente ocupada pode deixar pouco espaço para a atenção, a criatividade, o descanso ou simplesmente para estarmos presentes naquilo que estamos a fazer.
E talvez por isso algumas das ideias que utilizamos para organizar o espaço físico possam servir de inspiração para organizarmos também o nosso espaço mental: destralhar, categorizar, decidir o que precisa da nossa atenção, dar um lugar às coisas e deixar ir aquilo que já não precisamos de carregar.
No vídeo desta Hora do Chá faço precisamente este exercício: pegamos em algumas estratégias conhecidas da organização e do destralhe da casa e experimentamos aplicá-las àquilo que se passa cá dentro.
Porque talvez também seja preciso, de vez em quando, fazer umas arrumações na cabeça.
Vamos conversar?



