Para muitas famílias, a casa representa uma das maiores despesas do orçamento mensal. E, quando existe um crédito à habitação, representa também um compromisso que nos acompanha durante muitos anos.
A reflexão desta semana chega novamente pela mão de Elaine St. James, autora do livro Simplifique a Sua Vida, e parte de uma proposta bastante concreta: e se fizéssemos por liquidar o empréstimo da casa mais cedo?
O peso de uma dívida não aparece apenas na conta bancária
Quando pensamos num empréstimo, pensamos naturalmente nos números. Quanto falta pagar? Qual é a prestação? Quanto pagamos de juros? Quantos anos faltam?
Mas existe também uma dimensão menos visível. A dívida representa uma obrigação futura.
Todos os meses sabemos que determinada quantia do nosso rendimento já tem um destino antes sequer de chegar. E talvez seja por isso que Elaine St. James associa a possibilidade de liquidar antecipadamente a hipoteca à ideia de simplificação e liberdade.
Não se trata apenas de deixar de pagar juros, mas também de reduzir uma obrigação financeira permanente.
Amortizar ou não amortizar?
No livro, a autora apresenta diferentes formas de antecipar o pagamento da casa, desde pequenas amortizações adicionais até à utilização de entradas extraordinárias de dinheiro.
Naturalmente, estas sugestões foram escritas para uma realidade financeira, fiscal e bancária específica e não devem ser transportadas diretamente para qualquer crédito à habitação atual.
Mas a pergunta que está por trás delas continua a ser interessante: O que fazemos quando entra algum dinheiro que não estava previsto no orçamento habitual?
Um reembolso, um prémio, algum rendimento extra, uma poupança que fomos construindo… Podemos gastá-lo. Podemos investi-lo. Podemos guardá-lo. Podemos utilizá-lo para reduzir uma dívida.
Nenhuma destas opções é automaticamente a certa. Depende da nossa situação, das condições do empréstimo, das restantes dívidas, da segurança financeira que já temos e, naturalmente, das nossas prioridades.
Grão a grão…
Há também outra ideia sobre a qual converso no vídeo: não precisamos necessariamente de esperar por uma grande quantia para começarmos a trabalhar em direção a um objetivo financeiro.
Pequenos rendimentos extra ou pequenas poupanças podem parecer insignificantes quando olhamos para o valor total de um crédito à habitação.
Mas… grão a grão enche a galinha o papo.
Uma pequena quantia repetida ao longo do tempo deixa de ser pequena.
Tal como uma torneira a pingar consegue desperdiçar uma quantidade surpreendente de água ao fim de um mês, pequenas quantias canalizadas consistentemente para um objetivo podem acabar por representar bastante dinheiro.
No fundo, é uma questão de prioridades
Talvez a parte mais interessante desta reflexão nem seja decidir se devemos ou não amortizar antecipadamente o empréstimo da casa, mas perceber o que queremos fazer com o dinheiro que passa pelas nossas mãos.
Podemos querer umas férias melhores, investir, construir primeiro uma reserva financeira… Ou podemos decidir que uma das nossas grandes prioridades é chegar ao dia em que podemos dizer que a casa está paga.
Simplificar a vida não significa que todos tenhamos de fazer a mesma escolha.
Significa talvez conhecermos suficientemente bem as nossas prioridades para conseguirmos decidir onde queremos colocar os nossos recursos — dinheiro, tempo e energia — em vez de deixarmos que essas decisões aconteçam simplesmente por hábito.
No vídeo desta semana partilho e comento a proposta de Elaine St. James sobre o pagamento antecipado do empréstimo da casa, juntamente com algumas das minhas próprias reflexões sobre poupança, rendimento extra e prioridades financeiras.
E, como já é habitual, termino com mais um pouco do meu destralhe semanal.
Porque simplificar também pode passar por destralhar coisas.
Mas, às vezes, pode passar por destralhar obrigações.
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